PRÓLOGO III - O NASCER DO PECADO

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PRÓLOGO III - O NASCER DO PECADO

Mensagem por DARKNESS em Dom Ago 30, 2015 6:55 pm



O NASCER DO PECADO


Antes de tudo e de todos, existia o vazio. E naquele espaço incabável constituído apenas do nada, estavam as divindades antigas. Nenhumas delas constituída de forma ou nome específico, nem ao menos se sabe quantas delas existem, apenas que existem. E em sua milenar sabedoria de eternidades interdimensionais e infinito poder de criação, decidiram que algo mais deveria estar entre eles. Não apenas existiriam, mas criariam e coordenariam todo um ciclo de existência em constante mudança e evolução. Um mundo em um universo. E assim o fizeram, em um milésimo de segundo surgiram o infinito, os elementos, o espaço, o tempo e a vida. E dentre os incontáveis planetas de incontáveis sistemas solares de incontáveis galáxias, foi necessário apenas um para que se iniciasse uma história eterna. No mundo hoje conhecido como Terra, plantas nutriam o solo e criaturas incríveis andavam sobre eles. Montanhas de diamante arranhavam os céus, Florestas inteiras eram constituídas de árvores que brilhavam durante a noite, esfinges caçavam nas colinas, krakens dominavam o mar e dragões voavam nos céus. Mas mesmo com todas aquelas maravilhosas criações, algo faltava, alguém deveria ser encarregado de cuidar, liderar e povoar aquele mundo que com tanta dedicação as divindades criaram. E assim, por muitas eras, a parte mais trabalhosa de todo o universo começou. A busca pelos filhos dos deuses. Uma por uma, as divindades criaram raças com talentos extraordinários que acabaram por refletir em terríveis falhas fatais pois quanto mais próximo está da luz, maior é a sombra gerada. Cada falha, abominada por eles, seria proibida para a próxima com principal importância, de todos os pecados, aqueles seriam os pecados capitais.
Primeiramente, querendo criar os guardiões desse mundo e não somente mais moradores, fizeram seres de energia sem forma física. Intocáveis, quase imperceptíveis, translúcidos, espirituais, fantasmagóricos e nebulosos. Capazes de possuir corpos e objetos e alterar os sentidos dos vivos, viam-se como menos do que eram, aquelas criaturas não viam sua capacidade e se a viam não tinham a intenção de utilizá-la. Simplesmente não faziam nada, não queriam nada, eram inertes e sem vida, existiam por existir e não para gerar diferença nesse mundo. Aqueles eram os espectros, que por apenas vagar e não realizar sua missão foram rejeitados e condenados, trazendo consigo o primeiro ato a ser proibido e considerado pecaminoso, a preguiça.
Logo depois cederam, se a falha dos espectros era a falta de forma, dariam corpos físicos aos seus novos filhos, porém em níveis diferenciados. Enquanto belas criaturas habitavam o mundo, os guardiões da vida trariam consigo a escuridão em seu corpo e nas almas que ali habitavam, pois se o bem era muito inocente para se proteger, tomar decisões perigosas ou simplesmente agir, o mal o faria. Suas novas crias tinham asas dracônicas, pele negra e escamosa, horrendos rostos monstruosos e chifres que poderiam identicá-los em qualquer lugar. Mas eles se sentiam injustiçados, não fazia sentido que outros pudessem ter beleza e pureza enquanto eles se resumiam ao mal e à imperfeição. Por isso roubavam, matavam, torturavam e atacavam sem dó. Não queriam o que tinham, queriam o que os outros tinham. Tinham raiva de quem possuía o que não poderiam ter. Eram consumidos por um desejo sem fim pelo que era do próximo. Eram demônios, descontrolados e destruidores, alcançando apenas a rejeição ao pecar com a inveja.
Então fizeram o oposto, seres tão belos, altivos e bondosos que jamais deixariam de se satisfazer consigo mesmos. Pessoas de estonteante beleza que literalmente brilhavam por suas peles. Curavam todo mal que vissem pela frente, defendiam toda a inocência que fosse ameaçada, faziam do mundo um lugar melhor. Todos os seres desse mundo admiravam o quão majestosos eles eram, até eles próprios, e aí desmoronou seu reinado. Passaram a achar que eram muito perfeitos para aquilo tudo, para a presença de seres inferiores, para serviços a quem não merecia tamanha honra, eram tão belos e poderosos e mesmos assim não sentiam que eram reconhecidos por isso. Passaram a ignorar e excluir qualquer um que não fosse um deles, pois outros com tamanho nível de inferioridade não eram dignos de se aproximar. Por tal motivo, os anjos também foram vistos como uma falha, eram grandes pecadores do orgulho.
A criação não pararia por aí, se os anteriores achavam que sua beleza era mais do que o mundo merecia, os próximos não hesitariam em dividir todas as suas dádivas com o mundo. Eram belíssimos e amavam as outras criaturas tanto quanto a si mesmos. Ajudavam como podiam, viajavam por todo o mundo, fortaleciam o amor e o afeto entre todos. Mas ao mesmo tempo, suas relações estavam próximas demais, íntimas demais, constantes demais. Todos eles achavam que o amor era mera fonte de prazer e queriam recebê-lo e dá-lo para com todos que vissem. Os prazeres daqueles seres eram o maior tesouro que alguém poderia ter, seres lutavam e guerreavam por uma chance de serem agraciados com as habilidades românticas que eles traziam. Já era tarde, eles manipulavam e controlavam quem queriam para conseguir qualquer coisa pois sabiam que eram adorados e adoravam aproveitar o que corpos ferventes em desejo podiam trazer. Os sereianos trouxeram caos inaceitável e por isso passaram ao nível do pecado, pois cederam ao desejo da luxúria.
Considerando que seu erro era fazer com que as espécies fossem desejadas demais, as divindades trouxeram então seres que possuíam desejos mas não seriam tão cobiçados pelos outros. Por isso eles eram frios, ausentes de vitalidade e calor e queriam entender o que era sentir aquilo. Não odiavam, não manipulavam, apenas desejavam. Eram discretos, porém presentes, eram capazes, porém simples, e acima de tudo eram velozes. Eram capazes de proteger e entender as criaturas, pois tinham raciocínios práticos e instintos de sobrevivência. Mas ao primeiro toque de vitalidade que chegaram a experimentar, não puderam mais parar. Tinham fome, fome de vida, fome da deliciosa essência da alma que todos carregavam dentro de si e não conseguiam resistir ao prazer de consumir incessantemente. Se não fossem parados, consumiriam tudo e todos e assim se tornaram apenas mais uma rejeição, pois eram capazes de tudo, a não ser resistirem à sua gula.
O que veio então eram seres fortes, grandes, ameaçadores porém disciplinados. Se o mundo não viesse a paz pelas mãos do bem, viria pela força bruta. Predadores naturais, destruidores em potencial, sempre juntos, unidos em bando, aniquilando toda e qualquer ameaça que despertasse sua fúria. Mas aquele que destrói pelo bem comum também pode destruir por simples vontade e assim ocorreu. O mundo se tornava um lugar difícil e não importando o quanto lutassem para mudar isso, não podiam apagar a raiva feroz que aquilo causava. Passaram a acabar com o que lhes desagradava, destroçar o desagradável, despedaçar aquilo com o que descordavam. Se tinham força, a usariam para apagar o que era tão irritante e falho. Por isso os lobisomens não se mantiveram como os guardiões, proteger ficava em segundo plano quando dominados pela fúria.
O mundo precisava ser preservado, o que era belo e precioso devia ser valorizado e ao contrário de destruir, os verdadeiros moradores da terra deveriam criar. E foi esse o talento com o qual abençoaram essa nova espécie, eram criadores, seres com místicas capacidades de mudar e modelar o mundo ao seu redor. Seus poderes compensavam as falhas que encontravam, equilibravam o caos que por outros era causado e traziam novas ondas do destino ao mundo. Por instinto queriam apenas aquilo de maior valor, raridade e riqueza. Sempre preferindo, não importando a que custo, multiplicar seus bem materiais e seu poder. Afinal, ser capaz de mais e possuir mais era o verdadeiro significado da evolução. Nada os impedia, se assim como os deuses podiam criar, agora iriam criar e conquistar cada vez mais. E isso afastou os bruxos de seu verdadeiro caminho que antes era tornar o mundo um lugar melhor, mas preferiam explorá-lo que melhorá-lo. Sua falha refletiu em sua avareza.
Sete criações, sete raças, sete potenciais para incríveis realizações que revelaram apenas enormes falhas. Por fim foi gerada uma decisiva epifania, grandes poderes traziam enorme escuridão para os corações de toda e qualquer criatura. Assim, o oposto foi feito e os verdadeiros guardiões do mundo teriam a mais diferenciada das dádivas, a inocência. Seriam seres simples, sem magia, sem força bruta, sem beleza estonteante, mas principalmente sem o instinto do incontrolável pecado.  Conhecendo a natureza inevitável das trevas no coração dos que vivem, colocaram um fragmento de cada falha dos sete sobrenaturais para ao mesmo tempo dar-lhes a missão de reconhecer e controlar tais fraquezas. Por todo o mundo, eles deveriam proteger, guardar, agir, produzir, fabricar, eles seriam o oposto do anterior, seriam aqueles que retirariam o pecado do mundo. Esses eram os humanos.
Porém, unir a pureza delicada humana com o poder obscuro sobrenatural não poderia resultar em algo bom. Espectros os assombravam, demônios os assolavam, anjos os desprezavam, sereianos os afogavam, vampiros os devoravam, lobisomens os caçavam e bruxos os exploravam. Finalmente após toda uma era de escuridão, as divindades não podiam permitir que sua criação de verdadeira pureza ser consumida pelo mal que os sobrenaturais representavam mas não tinham intenção  de exterminar seus filhos, por mais imperfeitos que fossem. Assim, uma parcela dos humanos foi abençoada com a dádiva da sabedoria e da força, incumbidos de utilizá-la na missão sagrada de impedir todo e qualquer sobrenatural que usasse seus dons para fins malignos, dando origem à Ordem dos Caçadores, que em nome dos deuses, defenderia o bem no mundo. Já para as sete raças, o presente não foi magia mas um lugar, um local seguro, um lar protegido e pacífico onde poderiam viver em harmonia, longe da caçada. Assim começaram as guerras ocultas, onde caçadores e sobrenaturais se exterminavam em batalhas eternas, um lado visando que o dano aos humanos fosse pago e o outro apenas na tentativa de sobreviver. Ao presentear os sobrenaturais com seu lar, as divindades avisaram, humanos nunca entrariam mas sobrenaturais poderiam fazer como bem entendessem mas lá fora não teriam a mesma vida. Seriam livres, mas seriam caçados. Teriam seus poderes, mas precisariam manter-se secretos ao mundo. Enquanto isso foram decretadas como proibidas as falhas antes trazidas ao mundo por cada espécie. Sete pecados capitais que os humanos deveriam evitar em nome do bem maior pois vieram ao mundo por um motivo. Antes do nascer dos humanos, houve o nascer do pecado.
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